PROJETO CLAUDIO CHAGAS

CLAUDIO CHAGAS
O progresso, a independência e o futuro de qualquer país estarão diretamente relacionados ao seu desenvolvimento tecnológico. A pesquisa científica, desenvolvida em todas as áreas do conhecimento, a sua transformação em equipamentos ou estruturas que possam aplicar as novas descobertas em benefício da população e do parque industrial nacional e a posse dos direitos de exploração comercial, garantem ao país o diferencial entre a submissão à parcela de conhecimento concedida pelos donos do conhecimento e a capacidade de promover um desti
no próprio.
A nossa política de desenvolvimento tecnológico irá focar na capacidade de produção de conhecimento e na liberdade para a sua aplicação, sem restrições políticas, comerciais ou ideológicas.
Para tal, torna-se indispensável promover a pesquisa científica. Ela só poderá ser realizada, em benefício nacional, em instalações do governo. A pesquisa privada sempre irá procurar soluções para os problemas de seus promotores, naturalmente voltados para o aumento da lucratividade de seus investimentos, muitas vezes dissociadas do interesse ou do bem-estar da população. Não há porque direcionar-se recursos para a pesquisa no setor privado, perfeitamente capazes de financiar suas próprias demandas tecnológicas, em detrimento da pesquisa que visa o desenvolvimento de setores estratégicos para a nação.
Os principais polos de pesquisa localizam-se nas universidades federais. Novos polos serão criados, nas universidades que ainda não desenvolvem pesquisas, Serão incentivados e financiados programas de pesquisa julgados relevantes pelo Ministério, de forma que nenhum deles seja interrompido por falta de verbas, seja lá qual o cenário econômico considerado. Será a última atividade a ser “contingenciada”. Instalações de pesquisa a nível estadual ou municipal, ou de outros ministérios, como a EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), também serão apoiadas e preservadas, procurando-se a sua integração e sinergia com outras iniciativas relacionadas. Nenhuma instalação de pesquisa poderá ser cogitada para privatização, por razões obvias, por determinação de instrumento legal a ser criado.
A pesquisa deverá ser direcionada também para atender à necessidade de inserção da indústria nacional em novos mercados. Serão consideradas parcerias com o empresariado nacional, para prover o conhecimento que lhes é negado pela concorrência internacional.
O esforço nacional será direcionado prioritariamente para as seguintes áreas de pesquisa:
– Medicina, seja em equipamentos, farmacologia, cura para doenças ou prevenção de epidemias;
– Meio ambiente e agricultura, promovendo novos conhecimentos e tecnologias que melhorem e diversifiquem a produtividade rural e preservem o equilíbrio ecológico;
– Novas fontes de produção de energia renovável;
– Equipamentos para melhorar a produtividade nas indústrias;
– Energia nuclear;
– Pesquisa espacial;
– Estrutura da matéria,
– Extração mineral, visando a recente conscientização sobre a carência de terras raras no mercado global, naturalmente envolvendo todo o processo de beneficiamento e produção do insumo final.
– Desenvolvimento do Programa Antártico, apoiando as pesquisas que estão sendo desenvolvidas pela Marinha e pelas universidades gaúchas para obtenção de conhecimento científico sobre aquele continente.
– Incentivo à participação de estudantes brasileiros em concursos científicos e tecnológicos internacionais, mantendo a presença marcante dos nossos jovens nesse tipo de eventos, criando uma mentalidade de pesquisa desde cedo na nossa rede de ensino médio.
Medicina
Uso da inteligência artificial (IA) no diagnóstico de câncer, desenvolvimento de novas vacinas (especialmente para dengue e influenza), estudos sobre doenças negligenciadas e monitoramento de novas variantes de vírus. Ênfase na saúde digital e na medicina de precisão. Pesquisadores da USP Ribeirão Preto, por exemplo, desenvolveram programa através da IA que prevê a agressividade de 11 tipos de câncer, analisando o potencial de desenvolvimento dos tumores. Foi desenvolvida nova tecnologia desenvolvida no país que melhorou em 22% a precisão do diagnóstico de câncer de mama, que deverá ser replicada para emprego no sistema brasileiro de saúde;
Criação de tecnologias para rastrear câncer através de exames de sangue. Retorno imediato ao projeto do chip ConquerX, da biomédica pernambucana, professora Deborah Zanforlin. O chip é capaz de detectar até 18 tipos de câncer e fornece os resultados em apenas 15 minutos. Tem o objetivo de tornar o diagnóstico acessível para pessoas de baixa renda, evitando a necessidade de exames caros como tomografias e mamografias. Após enfrentar desafios para transformar o projeto em um produto viável, Deborah foi premiada, em 2016, pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e o projeto foi encaminhado para prosseguimento nos Estados Unidos, por falta de apoio do governo da época (Temer).
Em relação a vacinas e doenças infecciosas, serão implementados programas de monitoramento ativo de variantes da Covid-19 (como a cepa XFG, de 2025) para reação antecipada, mantendo uma cobertura vacinal efetiva contra novas variantes de gripe (influenza) e outras doenças imunoprevisíveis.
Apoio integral a instituições como o Centro de Pesquisas Clínicas do Hospital Estadual de Serrana – SP, o Instituto Butantã, as parcerias com o Centro Pasteur, da França, a FIOCRUZ e tantos outros centros de pesquisa em funcionamento n território nacional, que serão identificados, cadastrados e terão suas pesquisas direcionadas, apoiadas e financiadas, de acordo com suas expertises e com as necessidades regionais ou nacionais.
Desenvolvimento de medicamentos contra a doença de Chagas, leishmaniose visceral e malária e monitoramento e combate a doenças como hanseníase, dengue e esquistossomose, que afetam profundamente a qualidade de vida e geram altos custos sociais. Igualmente em relação à volta do sarampo e ao aumento da dengue, doenças que reemergem, com ênfase em estratégias de vigilância epidemiológica.
Pesquisas na área da Medicina de Precisão e da saúde digital. O objetivo é a criação de um banco de dados dos pacientes usuários do SUS, possibilitando que dados genéticos, marcadores biológicos e informações moleculares passem a identificar a melhor abordagem para pacientes específicos, em vez de um tratamento “único” para todos. Isso irá permitir a maior assertividade nos diagnósticos, a redução dos efeitos colaterais de medicamentos e permitir intervenções precoces, como no manejo de doenças crônicas ou na oncologia. Medicina no Estado da Arte
Controle na adoção de ferramentas disponibilizadas pela Inteligência Artificial, como a tecnologia de edição gênica CRISPR, que podem permitir tratamentos personalizados para doenças genéticas anteriormente intratáveis, mas também viabilizar a criação de novas ameaças, seja por uso inadequado, seja por intenção proposital de criação de novas ameaças.
Desenvolvimento de pesquisas para viabilizar a adoção da Telemedicina, dos prontuários eletrônicos (PEP), dispositivos distribuídos aos pacientes para monitoramento remoto e desenvolvimento de aplicativos de saúde (apps) para orientação e acesso do paciente ao Sistema de Saúde.
Meio ambiente e agricultura
As pesquisas científicas na área do meio ambiente e agricultura deverão focar na sustentabilidade, no aumento da produtividade sem expansão das áreas degradadas (intensificação sustentável) e na adaptação às mudanças climáticas. Será introduzido o conceito de “agricultura inteligente”, visando as metas de redução de gases de efeito estufa;
Pesquisas na área de bioinsumos e controle biológico, para o desenvolvimento de microrganismos para aumentar a produtividade e controle biológico de pragas, reduzindo o uso de agroquímicos sintéticos;
Estudos para recuperação de pastagens degradadas, na melhoria do solo e no aumento da biodiversidade. Apoio ao uso de drones e sensores, para otimização de insumos, manejo de irrigação e monitoramento de culturas, permitindo menor impacto ambiental e economia de recursos.
Desenvolvimento de estudos para desenvolvimento de culturas como a soja, o milho e o café mais resistentes a secas e pragas, essenciais para o novo cenário de clima volátil.
Pesquisas na produção de biocombustíveis e energia renovável, aproveitando resíduos da agroindústria, e no uso de resíduos agrícolas para produção de bioplásticos e materiais sustentáveis.
Novas fontes de produção de energia renovável.
Apoio a pesquisas, tanto privadas como em universidades federais, no desenvolvimento de tecnologia para produção de energia alternativa, como a energia maremotriz (uma fonte renovável e limpa que utiliza o movimento de subida e descida das marés para gerar eletricidade, através de turbinas subaquáticas ou barragens, convertendo a energia cinética e potencial da água em energia elétrica previsível), eólica (como já vem sendo explorada em todo o mundo), solar , hidrogênio verde (a exemplo da EDP, no porto de Pecém) e outras formas alternativas de energia limpa.
Equipamentos para melhorar a produtividade nas indústrias
A pesquisa sobre equipamentos para aumentar a produtividade industrial terá seu foco na automação, inteligência artificial (IA) e robótica colaborativa (cobots), com o objetivo de reduzir desperdícios, otimizar processos e permitir a rastreabilidade de dados em tempo real. A participação do governo deverá objetivar a redução de custos na produção e o aumento da produtividade, sem a redução dos postos de trabalho. Será realizado esforço no desenvolvimento dos chamados robôs colaborativos ou “Cobots”, projetados para trabalhar com segurança ao lado de seres humanos em tarefas de montagem, manipulação de materiais e inspeção, sem a necessidade de cercas de proteção.
A gama de equipamentos a serem desenvolvidos abrange desde a logística, com equipamentos para automação de logística interna, movimentação de cargas e armazenamento, passando pelos sensores que coletam dados em tempo real sobre o funcionamento de máquinas, permitindo manutenção preditiva (prevenir paradas) e monitoramento da sua eficiência, até a fabricação de impressoras 3D em empresas nacionais, barateando o custo e customizando a gama de atendimento dos projetos às necessidades de produção do nosso mercado.
Os drones, com aplicações diversas, serão desenvolvidos em parceria com a indústria nacional, para atender todas as tarefas que passaram a ser apoiadas por estes aparelhos, desde a pulverização e distribuição de sementes na área rural, atividades de resgate e de combate a incêndios, atividades policiais, manutenção de redes de energia, movimentação de cargas em áreas restritas de difícil acesso, se estendendo até o uso como meio de locomoção individual.
A criação do EVE, o veículo elétrico aéreo de transporte urbano da EMBRAER, já com aceitação e encomendas no mercado internacional, revela uma tendência irreversível para este novo tipo de mercado. A sua adoção deverá ser acompanhada de medidas tão radicais como complexas de controle de tráfego aéreo. Iniciativas ousadas e inovadoras apresentaram uma nova opção para o uso dos drones, qual seja, o uso dos mesmos como transporte aéreo individual de baixo custo. Pesquisas tecnológicas no sentido de viabilizar a produção e a utilização desses dois tipos de material, tanto o taxi aéreo com a “motocicleta aérea” serão desenvolvidas com urgência, para ganharmos o protagonismo nessa nova tendência, que em breve mostrará o seu potencial avassalador de crescimento.
Energia nuclear
A tecnologia nuclear pode ser considerada a forma de melhor relação custo-benefício para a produção de energia absolutamente limpa para a humanidade. O Brasil possui grandes reservas do mineral e domina os processos de enriquecimento de urânio necessários para a produção do combustível para as usinas. Serão implantados os centros de pesquisa necessários para o domínio completo do ciclo nuclear, em complemento às instalações já existentes. A pesquisa será direcionada também à construção de pequenas usinas para atender áreas carentes de energia, com a economia em linhas de transmissão. Desenvolvimento de reatores para pequenas cidades, em substituição aos movidos a óleo diesel ou a carvão, extremamente poluentes e antiecológicos, planejados para instalação em locais com capacidade captação permanente de agua.
O esforço será direcionado também e principalmente para o desenvolvimento de motores a energia nuclear para embarcações comerciais e militares, acessando e liderando um mercado a ser criado a partir do barateamento do custo do transporte marítimo. Chamada de “Regulação Nuclear Naval”, a iniciativa visará apoiar e patrocinar o projeto e a implantação na indústria nacional dos reatores nucleares modulares, com aplicação em unidades de aquecimento distrital (aquecimento centralizado de ambientes urbanos), dessanilização, fornecimento de calor para processos industriais, produção de hidrogênio e propulsão marítima, no contexto da descarbonização da navegação, entre outras aplicações, incrementando o desenvolvimento de toda a cadeia de industrialização nuclear no Brasil.
Pesquisa espacial
Com o objetivo de colocar o Brasil definitivamente como um polo internacional para lançamentos espaciais comerciais e para o estabelecimento de uma constelação própria de satélites para monitoramento do território nacional e para obter a autonomia e o barateamento no funcionamento das redes de comunicações;
As pesquisas espaciais brasileiras vêm sendo extremamente prejudicadas por uma provável ação de boicote internacional, já que o seu domínio significa a autonomia na guiagem de veículos lançadores, o que poderia significar também uma autonomia na tecnologia de mísseis intercontinentais. Por isso o interesse em impedir o desenvolvimento do nosso programa espacial. A tragédia do VLS-1, em agosto de 2003, foi o maior desastre da história do Programa Espacial Brasileiro e um dos maiores do mundo, impedindo que o país colocasse em órbita dois satélites nacionais de observação terrestre. Segundo as investigações, toda a estrutura em volta do foguete já estava montada e ele passava por ajustes finais na Torre Móvel de Integração (TMI) quando, às 13h26, um dos motores teve uma ignição prematura e o protótipo foi acionado antes do tempo. A torre acabou explodindo e matando os 21 profissionais civis que trabalhavam no local. Mais recentemente dois outros insucessos em lançamentos de satélites brasileiros corroboram esta hipótese de sabotagem: a explosão do foguete sul-coreano HANBIT Nano logo após a decolagem, em 22 de dezembro de 2025, lançado a partir do nosso Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) levando uma série de satélites de produção nacional. Idem em relação ao foguete indiano, este lançado da base de Satish Dhawan, na ilha de Sriharicota, em 12 de janeiro de 2026, levando 5 satélites brasileiros, além de outras dez cargas úteis.
As pesquisas espaciais brasileiras irão focar na soberania tecnológica, no monitoramento ambiental da Amazônia, no desenvolvimento de veículos lançadores próprios, na produção de nanossatélites, na exploração comercial do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) e da base de lançamento de Barreira do Inferno. Irão desenvolver-se em dois principais ramos distintos: tecnologia de satélites e tecnologia de veículos lançadores, considerando toda a infraestrutura necessária para funcionamento dos Centros Lançadores.
Deverá ser dado prioridade à implantação de uma rede de satélites de imageamento e comunicações produzidos no Brasil com tecnologia nacional, através de lançadores nacionais, a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). Para o início do processo poderão ser contratadas empresas internacionais efetuando lançamentos a partir de bases no exterior, com a condição inegociável de transferência de tecnologia e participação técnica de engenheiros e especialistas brasileiros no processo
Os satélites serão desenvolvidos em todas as modalidades necessárias ao uso científico e comercial, conforme os já produzidos:
– Os satélites de observação da Terra, do tipo “Amazônia I”, atualmente em operação no espaço, continuarão a ser aprimorados e produzidos para emprego logo que possível;
– Satélites produzidos pelo INPE ou em parceria com outros países sem reserva de tecnologia, como o “CBERS-4”, uma parceria Brasil-China, focado em monitoramento ambiental, visando a expansão desta capacidade de monitoramento;
– Os Nanossatélites, geralmente pesando menos de 10 kg, que são satélites artificiais compactos, com custo reduzido e capacidade de operação em constelação. São utilizados principalmente para monitoramento ambiental, agricultura de precisão, IoT (“Internet das Coisas”, objetos equipados com sensores, software e conectividade que coletam, transmitem e trocam dados via internet) e educação. São montados como cubos de 10x10x10 cm, facilitando o lançamento como “carga secundária” em foguetes. São dispositivos que promovem uma inserção tecnológica rápida no ambiente espacial. Os principais nanossatélites em desenvolvimento no Brasil, e que serão integralmente apoiados nos seus projetos, são o “NanosatC-BR1 e BR2”, desenvolvidos pelo INPE em parceria com a UFSM, focados no estudo do campo magnético e clima espacial, o “VCUB1”, desenvolvido pela empresa Visiona, focado em sensoriamento remoto e monitoramento, o “Biome SAT”, um projeto do INPE para uma constelação de monitoramento ambiental e o “Alfa Crooks”, desenvolvido pela UnB, lançado em 1º de abril de 2022 por um foguete Falcon 9 da SpaceX, com foco em educação e pesquisa para teste de comunicações de banda estreita para troca de dados via Internet (IoT) e coleta de dados em áreas remotas.
Os veículos lançadores voltarão a ser desenvolvidos com prioridade elevada, inicialmente apoiando o projeto do VLM-1 (Veículo Lançador de Microssatélites), da Força Aérea Brasileira, que atualmente foca na autonomia tecnológica para lançar pequenos satélites, com lançamentos de teste do motor VS-50 em execução.
Prioridade elevada também para apoio às pesquisas no campo hipersônico (velocidades acima de Mach 5), para emprego em mísseis e foguetes militares, como o projeto RATO-14X. Trata-se de uma iniciativa estratégica da Força Aérea Brasileira e do DCTA para desenvolver um veículo lançador hipersônico, visando impulsionar o protótipo 14-X a velocidades superiores a 8 vezes a do som (Mach 8) a mais de 30 km de altitude. Com mais de 5m de altura e 12 toneladas, o foguete de decolagem assistida visa consolidar o Brasil na tecnologia hipersônica. 14-X, com o veículo acelerador RATO.
Apoio ao crescimento da ALADA, empresa pública federal de projetos espaciais, vinculada ao Ministério da Defesa e subsidiária da NAV Brasil Serviços de Navegação Aérea.
Desenvolver a operacionalidade plena do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, para realizar lançamentos privados internacionais, atraindo empresas privadas nacionais e internacionais para o empreendimento.
Apoiar as pesquisas científicas e acadêmicas em desenvolvimento, evitando a sua interrupção ou atraso. Prioridade para as que já se encontram em andamento, como a que pretende monitorar os efeitos solares na ionosfera, desenvolvida pelo INPE, a voltada para o cultivo de alimentos (grão-de-bico, batata-doce) em ambientes de microgravidade, pela EMBRAPA.
Apoiar o desenvolvimento do motor foguete híbrido para aplicação em satélites e sistemas espaciais alta performance, construído por impressão 3D nos laboratórios da UNB, em Brasília.
Estrutura da matéria
Desenvolvimento de pesquisas com foco em áreas de tecnologia aplicada, através da implantação e operação de grandes centros de pesquisa avançados, como o acelerador de partículas Sirius, construído em Campinas – SP;
Incentivar a realização e a participação de iniciativas científicas internacionais, como a 11ª Reunião do Grupo de Trabalho de Astronomia dos BRICS (2025), no INPE, com participação do CBPF, focada em “Transientes Multi-mensageiros“, que são fenômenos astrofísicos de curta duração que emitem simultaneamente diferentes tipos de sinais, como luz, ondas gravitacionais, neutrinos e raios cósmicos possibilitando um estudo mais aprofundados que transcende os telescópios eletrônicos, colocando a pesquisa científica do Universo em um estágio mais avançado.
Extração mineral
Intensificar as pesquisas direcionadas à extração e beneficiamento de terras raras, focando no potencial de argilas iônicas e monazita em GO, MG, BA e SC. Possuindo a 2ª maior reserva mundial, o país deverá buscar superar rapidamente a exportação de concentrados, investindo em tecnologia para separação de óxidos (neodímio/disprósio) e laboratórios para produção de ímãs de alta tecnologia.
O governo apoiará as principais frentes de pesquisa e projetos com esse objetivo, entre elas as que já se encontrem em execução, tais como:
– A Serra Verde (GO) produz carbonato misto, e há projetos no mesmo sentido na região de Poços de Caldas, Sul de Minas, com grande potencial;
– Projeto do Serviço Geológico do Brasil (SGB), na identificação de novos depósitos e estudos de viabilidade econômica, visando os minerais que impulsionarão a transição energética;
– Iniciativas de instituições de pesquisa, como a USP, UFPE e IPEN, com mais de 100 grupos em atividade, desenvolvendo tecnologias de separação química e física, além de pesquisa de novos materiais magnéticos com aplicação na indústria de baterias de carros elétricos e de aparelhos celulares. Criação de laboratórios para otimizar o beneficiamento, com foco na reciclagem de ímãs e produção de alto valor agregado. Tais estudos buscarão reverter o histórico de baixo valor agregado, transformando o potencial geológico brasileiro em tecnologia industrial para impulsionar a transição energética;
– Apoio à fábrica de microchips criada na USP, para reduzir a dependência de semicondutores estrangeiros;
Desenvolvimento do Programa Antártico e pesquisa oceânica
O Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR) é de interesse estratégico para o Brasil e deverá ser apoiado e expandido, com a implantação de novas bases de pesquisa, com objetivo de marcar a presença brasileira no continente gelado de forma definitiva. O programa, criado em 1982, é uma iniciativa estratégica que promove pesquisas científicas de ponta, essenciais para entender a influência da Antártica no clima, agricultura e biodiversidade do Brasil. Sediado na moderna Estação Antártica Comandante Ferraz (reconstruída em 2020), o programa, coordenado pela Marinha e CNPq, posiciona o país como membro consultivo do Tratado da Antártica, garantindo presença no continente gelado há mais de 40 anos.
A base atual é uma das mais modernas, com 17 laboratórios, usinas eólicas e solares, e capacidade para 64 pessoas no verão. O PROANTAR abrange estudos em diversas áreas, incluindo meteorologia, oceanografia, biologia e geologia, focando em fenômenos que afetam o hemisfério sul. O apoio logístico é fornecido pela Marinha do Brasil, utilizando o Navio de Apoio Oceanográfico Ary Rongel e o Navio Polar Almirante Maximiano para transporte e pesquisas. Novos navios serão adquiridos ou construídos, visando o funcionamento perene das bases. Além da base principal, o Brasil desenvolveu os módulos Criosfera 1 e 2, localizados no interior do continente para estudos climáticos e atmosféricos. O programa engaja diversas universidades e instituições, com crescimento no número de pesquisadores apoiados, chegando a 181 na última oportunidade. Com a manutenção do projeto, o Brasil faz parte do restrito grupo de 29 países com status de Parte Consultiva do Tratado da Antártida, o que exige a contínua produção científica de qualidade.
Apoio à iniciativa da Marinha do Brasil e do ICMBio para a construção de estação científica no Arquipélago de São Pedro e São Paulo.